Apresentando o Caraça

Primeiro dia, 09 de março de 2011. A chegada.
A chegada foi por volta das 15:00 horas. Nos instalamos, Eu e Patrícia, no Casarão da Fazenda do Engenho. O Casarão foi reformado e preparado para receber hóspedes que optam por ficar em local mais tranquilo. Gosto de me hospedar nele, porque dá um gostinho de estarmos isolados numa fazenda. Um lugar bucólico, simples, impecavelmente limpo e cheiroso.
Fica a 10 km do prédio principal, com acesso por uma estradinha de terra (uns 800 metros mais ou menos do asfalto), logo à direita do portão de acesso ao Parque Natural do Caraça. Lá somos recebidos pelo “governador da Província” o simpático e sempre solicito às perguntas dos curiosos turistas, o Padre Maurício.
Uma vez instalados, fomos dar uma volta a pé pela propriedade em torno do Casarão. Visitar as dependências: o rancho, o galinheiro, o pomar, o jardim. Conectar à natureza, deixar para trás as “intoxicações” da vida urbana. Fizemos as primeiras fotos. A percepção que alimentamos nossas almas e espíritos de energia vital é muito clara. Podemos sentir o cheiro do, abundante, Prana.
Sentamos na varanda, num daqueles enormes bancos de madeira de lei maciça. A prosa flui naturalmente. É a paz se instalando nos espíritos. A sintonia com as nossas origens alegra nossas mentes e pensamentos. A paisagem é deslumbrante. O silêncio, a princípio, assusta e ao mesmo tempo nos acalma. Pausa para meditar. Hora de esquecer o trânsito da BR-381.
Entramos no Paraíso!
Estamos revilizados. Hora de subir a serra e dar “alô” ao Santuário. A Patrícia faz sua primeira visita. A felicidade está estampada nos nossos rostos. A Natureza nos recebe de braços abertos. Não nos cobra nada, apenas está ali, por todos os lados. A medida que avançamos ficamos cada vez mais alegres. Momento pleno de felicidade!
Chegamos ao Mirante, o ponto mais alto da estrada, de onde se tem uma panorâmica do que vamos encontrar. De lá podemos identificar alguns dos pontos que visitaremos: o prédio principal, o museu, o casarão das sampaias, o Morro do Cruzeiro (Ufa!!!! – mas fomos e valeu a pena.), a Capelinha, a cascatinha, a bocaina, o calvário etc. Uma vista bem ampla.
Respire,
respire o ar. Não tenha medo de se preocupar. Vá embora, mas não me deixe de procurar ao redor, e escolha seu próprio chão. Por mais que você viva e voe alto, os sorrisos que você vai dar, as lágrimas que vai chorar, tudo que você tocar e ver, é tudo que sua vida sempre será.


Saciados, seguimos em direção ao Portal do Santuário, a Casa da Ponte e a travessia sobre o Rio Caraça, passando sobre uma estreita e pequena ponte. Dai para frente é apaixonar-se ou odiar. Você ficará encantado ou não aguentará a paz, o sossego, a exuberante natureza, o silêncio. Deixamos o carro estacionados e vamos andar a pé. Atravessar a ponte, ver o rio e ouvir o canto das águas. Vamos ler o que as corredeiras tem a nos dizer. Vamos sentir um pouco da história do local e viajar na mente, imaginando como foi que Irmão Lourenço de Nossa Senhora (Carlos Mendonça Távora), fundador do Caraça veio parar aqui no ano de 1770 e, já, em 1779 inaugurava a igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Quem ajudou o Irmão Lourenço a construir esse Santuário? Porque veio construí-lo em lugar tão ermo e, até hoje, de tão difícil acesso?
“Estas e outras perguntas, todo visitante as faz, ao chegar ao Caraça. Um deles, o sábio Auguste de Saint-Hilaire, esteve com o próprio Irmão Lourenço, em 1816 e deixou para nós em seu livro “Viagens pelo interior do Brasil” cinco belas páginas sobre o Caraça” – pág. 12 do livro CARAÇA – Peregrinação, Cultura e Turismo, de Pe. José Tobias Zico C.M.
Seguimos de carro até o estacionamento do prédio principal, onde o impacto do visual começa a afetar-nos. A imponência da Catedral Gótica, Nossa Senhora Mãe dos Homens, o jardim, a mata do entorno, o silêncio. Tudo encanta, principalmente quem chega pela primeira vez. Patrícia fica admirada com a beleza do jardim e logo já começa a “dirigir” os melhores ângulos para fotografar os detalhes que ficarão registrados, também, nas nossas mentes para sempre, quem sabe até na nossa genética. É muito forte o que sinto todas as vêzes qe ponho os pés nesse lugar que considero sagrado.
O jardim nos faz recordar dos filmes que assistimos na adolescência, onde eram retratados aqueles jardins magníficos dos Palácios Imperiais da Europa. Logo tiramos as primeiras fotos buscando o melhor ângulo, aquele que irá retratar com fidelidade as curvas, as flores, a fonte, as árvores e os arbustos.
Vivi de perto com a alma transfigurada de emoção a santa trilogia do Caraça: o silêncio – a solidão – a serenidade”. Tristão de Ataíde, 1938, no “livro de ouro” do Caraça, p.37 v.
É muito interessante, toda vez que vou visitar as dependências do Santuário em determinados lugares fico arrepiado. Mostrei para a Patrícia. É uma sensação gostosa. Não sei e não quero saber de nenhuma explicação exotérica. Acredito que seja a emoção aflorando, fluidos produzidos pelo sentir, a transbordar pelos poros. Não tenho controle sobre esse fenômeno bio-psiquico-fisiológico. Gosto de visitar as Catacumbas. A Patrícia, não quer. Tem medo. Eu não compreendo, é um atrativo turístico que integra as atrações culturais. Convenço-a de entrarmos. Ascendo as luzes, e a medida que vamos entrando no “túnel” outras luzes vão se ascendendo, automaticamente, iluminando a galeria. Enxergamos o altar no final onde está uma imagem de Nossa Senhora e algumas flores, colocadas, provavelmente, por alguns descendentes dos que estão ali enterrados.
Fazemos uma breve oração para os mortos. Tiro umas fotos. Na saida tentamos entender os símbolos exposto no “hall” de entrada.
Saimos da breve visita à Catacumba. Patricia fica aliviada, mas parece que gostou da sensação. Nossa mente e o medo é que nos impede de nos aventurarmos em lugares desconhecidos. Parece que Ela quebrou um tabu. Visitamos o jardim interno. Por sugestão de um Padre fomos cheirar umas flores que segundo Ele tinha cheiro de mel. Verdade! Fui cheirar as deliciosas camélias. Que perfume, maravilhoso! Fomos conferir as horas no “relógio do sol”. Estava muito nublado e não deu para checar as horas (rsrsrsrs). Mas dizem que o relógio funciona corretamente e é muito preciso. Fomos visitar o interior da Catedral, os vitrais, o orgão de tubos, o quadro da Santa Ceia pintado pelo Mestre Ataíde. No hall de entrada do Santuário alguns quadros antigos sobre a história do Caraça. Um exemplar da Bíblia em Latin, móveis de madeira de lei e o livro de visitas “não ilustres”. Assinei para registrar minha presença, mais uma vez (e com certeza não será a última!) Não me lembro se a Patricia assinou! Será que Ela vai querer voltar? Por volta das 18:00 horas subimos para jantar. Ah! que vontade de degustar a deliciosa culinária do Caraça novamente, o arroz, o feijão, o tomate e o alface (direto da horta local), as carnes…opa: esquecemos, era quarta feira de cinzas. Não se come carne nesse dia. Mas o arroz e feijão estavam lá, sobre o fogão a lenha. Que fome!!! A noite promete. Parou de chover e está um friosinho gostoso…Até amanhã, quando relatarei o segundo dia da nossa estadia no Parque Natural do Caraça. Boa noite a todos.

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Sobre Sabino

Aproximei pelo que vi, permaneci, ou não, pelo que descobri.
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2 respostas para Apresentando o Caraça

  1. path disse:

    Parabéns por mais um texto maravilhoso Passear pela sua galeria me enriquece a alma, belíssimas fotos
    posso te garantir que se você não existisse eu juro que te inventaria

    Beijos no coração

  2. Cristina Crix disse:

    meu amigo,
    você nega o tempo todo, mas a magia permeava
    o cenário, o clima, o casal…certamente, inexplicável
    para nós, espectadores, mas sem segredo algum para
    quem estava lá…

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