Quarto dia no Caraça – 12-03-2011

Sábado, 12/03/2011, quarto e último dia de nossa estadia no Parque Natural do Caraça, um lugar sagrado. Meu lugar sagrado.
Hum!!!o quarto está escurinho, silencioso, gostoso. São 7:00 horas da manhã, dia de fazermos nossa última grande “peregrinação”: ir a Bocaina, uma caminhada de 5 km pelo campo da mistura. Abro a janela e…o tempo está para tempestade! Mas já entramos no ritmo da natureza. Sabemos que hoje é dia de conhecer a Pedra da Preguiça, a Bocaina que chora, fotografar o Gigante Adormecido. Levantamos tomamos nosso delicioso Café da Manhã e sem pressa nos preparamos para a grande aventura. Rumamos para o Santuário, mas antes damos uma paradinha num dos únicos lugares onde tem sinal de celular, para a Patrícia matar a saudade de casa e dar notícias à família (claro saber se estão cumprindo com suas recomendações!). Não é que o tempo começa a melhorar em cima de nossas cabeças? Mas as nuvens são aquelas que aprendemos no jardim de infância: nimbostratus da melhor qualidade, ou seja, via chover mesmo!!! Mas isso não importa, viemos aqui para fazer parte da natureza.
Deixamos o carro na entrada da trilha mesmo, para ganhar tempo, e partimos para a jornada. O tempo continua ótimo, sobre nossas cabeças. Na bifurcação Cascatinha ou Bocaina, seguimos pela opção da direita: Bocaina – 5 km. Penetramos dentro da mata fechada, mas com uma trilha bem conservada. Eis que surge o Rio Caraça a nossa frente. Cheio, apenas com algumas pedras para serem usadas como apoio para a travessia. Molharemos os pés com certeza. Mas a Path animada como sempre, começa a estudar o trajeto, pedra, pedrinha, pedrona, essa escorrega, essa não…pronto já estamos do outro lado. Mole e emocionante. Nossos labirintos são estimulados e nosso equilíbrio melhora. Neurônios adormecidos despertam! A caminhada é fantástica, plana, em vegetação típica dos campos de altitude. O tempo está fechado, mas não sentimos que vai chover. Isso é bom, porque tampa o sol e desse ponto em diante não há mais árvores. A paisagem é maravilhosa!!! Vamos caminhando paralelo à majestosa Cascatinha. A Caraça vai se configurando. Um momento sublime em nossas vidas. A sensação de Paz é pulsante.
Chegamos a Pedra da Preguiça onde, segundo dizem, é o melhor lugar para fotografar o Gigante Adormecido (a Caraça, seu pescoço e seu torax). É verdade. O visual é perfeito para se ter a compreensão do porque do nome “Serra do Caraça”. Sentamos para admirar a paisagem e emoldurar nas nossas mentes aquela visão que poucos terão oportunidade de ver. Nos consideramos dois privilegiados.
Nossos neurônios urbanóides se ligam. Admirando a paisagem em volta, avistamos, no horizonte, a tempestade que se aproxima. Vem em nossa direção e no caminho de volta não haverá abrigo. Contrariados e preocupados com a travessia do Rio Caraça, apertamos o passo (gastamos 1:15 de ida – voltamos em 40 minutos!) Tolice, mas enfim, a desintoxicação ainda não está completa. Como gostávamos de brincar na chuva quando éramos crianças, como brincamos e nem por isso morremos, não é verdade? Porque a pressa? Porque o medo?Mas Eu ainda encontro um jeito de brincar e agradecer nosso presente. Poso para apontar o nariz da Caraça. Estou feliz demais!
Conseguimos. Chegamos no carro antes da tempestade. Tivemos noticias, pelo Pe. Maurício que na Fazenda a chuva foi torrencial. Mas nossa parceria com São Pedro continua mais firme do que nunca. “Qué sabê” vamos sentar no butiquim local e tomar uma gelada antes do almoço, merecemos! Sentamos, prozeamos, rimos muito do nosso aperto (medo de chuva. Eu heim?!?!?!?). Fotografamos o belo Carvalho que posava naturalmente à nossa frente, como uma bela modelo querendo ser fotografada. Chove, chuva fina, mas que vai aumentar. Graças a Deus a Path não é de beber, se não acho que não sairia dali. Estava bom demais!!! Mas como a Imperatriz-Diretora da peregrinação é exigente demais, e o escravo fiel, ela propôs uma visita à Capelinha após o almoço, caso o tempo melhorasse, subimos para o almoço. Nota: desde que não tivéssemos que escalar mais, claro. Estamos pregados.
São 13:09.
Durante o almoço, sem pressa, saboreamos nossa ultima refeição no Santuário, quer dizer, Eu saboreie, pois a Imperatriz não almoça, nem janta. Impressionante, nunca vi isso.Aproveito para tirar mais uma foto dos telhados da casa através das janelas. São mesmas muitas as formas que cobrem esse “labirinto”. Bacana.
Temos fé que a chuva vai melhorar e,assim, poderemos subir até a Capelinha. Enquanto isso não acontece, São Pedro deve estar fazendo a sesta, fomos visitar o Museu. Sempre é bom conhecer um pouco da história dos locais que visitamos. A história do Caraça é fascinante. Registro da fé, determinação e persistência de um homem e de uma Congregação.
O tempo melhorou. Vamos visitar a Capelinha: construída por volta de1862, no superiorato do Pe.Sípolis, foi construída a capela do Sagrado Coração de Jesus, a uns 1.500 m a leste da Casa e a uns 200 m. acima. Levantou-se, ao lado, um sobrado de dois andares com acomodações para 20 pessoas. Estando muito cheio a Casa do Caraça com o Seminário e o Colégio, pensava-se em estabelecer, lá em cima, o noviciado e o lugar de repouso dos missionários. O tempo provou que o local era inadequado. Hoje, ao lado da Capelinha, encontramos apenas as ruinas de um sonho.
Prometemos que não iríamos “escalar” mais, mas a vontade de conhecer a Capelinha e sentir a energia da sua história falou mais alto. A caminhada é uma aventura leve, que exige atenção devido aos precipícios, perigos de escorregões. Embrenhar na mata fechada e contemplar das alturas são nossos vícios. A Capelinha do Sagrado Coração de Jesus foi restaurada, como promessa feita a Deus, no Superiorato do Pe.Francisco Silva, que pediu que o Caraça ficasse livre da terrível doença do beribéri,que foi erradicado do Caraça em 1935.“Até 1968, pelo menos, a festa do Sagrado Coração de Jesus era celebrada no local, com Missa Solene…e Bodega (pique-nique)”Caraça, Peregrinação, Cultura e Turismo – Pe. Tobias Zico – pág.71. Mais uma vez, somos presenteado com uma bela paisagem, um exemplar de Sempre-viva (nossos fogos de artifícios) e uma energia Divina. Registramos em fotografias para compartilhar com amigos e pessoas interessadas em conhecer uma das “portas” do Céu: O Caraça.

Bem, cheguei ao final da saga do Caraça. Me sinto feliz e agradecido a Deus por ter me proporcionado a realização de um sonho que teve seu início em 1979: uma profunda paixão surgiu, inexplicavelmente, na minha alma por esse local. E me sinto mais realizado ainda por poder escrever e compartilhar essa experiência amorosa com pessoas de bem. Não é preciso muito para ser feliz. A felicidade bate a nossa porta todos os dias: nossos filhos, a natureza, os amigos, nossa saúde, nossa paz interior. Esse é o fim de um novo começo!
PS: Reconheço, publicamente, que sem minha musa inspiradora Patrícia França, uma pessoa carinhosa, gentil, educada, linda, de coração puro, que cruzou meu caminho não faz muito tempo, Eu não teria coragem para escrever esta saga. Muito obrigado Path pelo seu afeto e pelo seu amor. Um grande beijo.

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Sobre Sabino

Aproximei pelo que vi, permaneci, ou não, pelo que descobri.
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3 respostas para Quarto dia no Caraça – 12-03-2011

  1. path disse:

    Esté e o presente mais valioso de todos que eu ja ganhei
    inesquecíveis momentos com vc obrigada
    beijos no coração

  2. Cristina Crix disse:

    Très bucolique, mon ami!

  3. path disse:

    O texto tá maravilhoso como sempre em tudo que vc faz esta maravilhoso parabéns
    Obrigada!!! Essa é a palavra que melhor representa meu sentimento o meu carinho meu amor em relação a vc
    Bons e inesquecíveis momentos vividos com vc que sua estrela brilhe cada dia uma salva de palmas para vc
    Beijos no coração

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